**Capítulo 10: O que o eu de agora pode fazer**
O eu de antes de perder a memória provavelmente fugia de muitas coisas.
Foi o que Asuka disse.
── Pra mim, o você de antes só fugia das relações humanas.
Como resultado de fugir da complicação das relações humanas, ele acabou sozinho.
Foi o que Arisugawa disse.
── Talvez fosse só preguiça de recusar.
Como resultado de fugir de decisões difíceis, ele não recusou as investidas e acabou com namoradas.
Foi o que Hina disse.
── A relação com a Yumesaki-senpai não é algo que começou agora.
O eu de antes, com medo de confusão, abandonou ela.
Sou uma pessoa horrível. Não há espaço pra pena por ter perdido a memória.
Pra recuperar essa memória, aparentemente o tratamento é fugir de novo.
Mas isso não seria a mesma coisa?
Fugindo continuamente, abandonaria de novo a Hina que sofre na minha frente e continuaria vivendo assim.
Não seria até pior que o eu de antes?
Fugir em si tem sido incentivado ultimamente.
Fugir porque é fisicamente doloroso. Fugir porque é mentalmente doloroso.
Se tudo isso for perdoado, realmente a realidade fica mais fácil de viver.
Então devo me entregar a tudo?
Ir sempre na direção mais fácil de viver seria o caminho do eu de agora?
Com certeza, a realidade atual tem coisas difíceis.
Mas não sou só eu.
A Hina também. Com certeza a Asuka e talvez até a Arisugawa tenham coisas difíceis.
Todo mundo, inconscientemente, acumula a vida com pequenas fugas contínuas.
Tudo bem. No destino da fuga, com certeza existem muitos bons caminhos.
Mas── deve existir momentos em que absolutamente não se pode fugir.
O que eu quero me tornar.
Só no momento de fazer essa escolha, não se pode fugir.
“Não ignorar a crise de alguém não é louvável” ── esse tipo de pensamento bonito fica em segundo plano.
Pessoas que acumularam coisas provavelmente conseguem enxergar algo ao jogar fora o bonito. Como a Asuka, que me priorizou e tentou ignorar a situação da Hina uma vez.
Mas eu sou completamente em branco.
Estou na fase de escrever caracteres como se rezasse em um papel branco, desenhar imagens e construir a mim mesmo.
Agora posso me tornar o eu que quero ser.
Do outro lado dessa barreira, um novo eu está esperando.
Posso escolher que tipo de eu quero ser.
Por isso, não fujo. Não posso fugir.
As ações daqui pra frente são pela Hina também.
Mas provavelmente mais ainda por mim mesmo.
Pra conectar ao futuro que eu desejo, eu──
◇◆◇◆
“Eu gosto de você. Namora comigo.”
Na sala depois da aula, teci as palavras.
Emoção inorgânica em caracteres inorgânicos.
Mesmo assim, a sala tingida de laranja carregava uma atmosfera emotiva, dando um mínimo de romantismo à falsa confissão.
Yumesaki assentiu com o canto da boca erguido para minha confissão.
“Tá bom. Eu também gosto.”
Ao ouvir a resposta, a acompanhante de cabelo longo castanho soltou um grito agudo.
A acompanhante de cabelo curto preto também aplaudiu.
E os dois garotos que pareciam próximos da Yumesaki e vieram ver a confissão assobiaram.
Arisugawa observava tudo com expressão neutra.
“Agora somos um casal, né?”
“...É.”
Quando respondi, Yumesaki sorriu satisfeita.
“Queria que a Arisugawa-san também dissesse parabéns.”
Arisugawa piscou. Depois, lentamente suavizou o canto da boca.
“É... parabéns, Yumesaki-san. Conseguir conquistar o Yuuki-kun é impressionante.”
“...Ser elogiada pela Arisugawa-san é especial mesmo.”
Yumesaki falou com voz que dava arrepios e lambeu o próprio dedo.
A forma atual da Yumesaki provavelmente vem do ambiente em que cresceu.
O ambiente peculiar de filha de presidente criou uma personalidade peculiar.
Quantas pessoas existem que se importam tanto com reputação a ponto de agir assim?
De certa forma dá pra respeitar, mas ao mesmo tempo há muito o que pensar.
A acompanhante de cabelo longo castanho soltou a voz aguda na sala vazia.
“Agora que tá resolvido, posso falar: a Yume já levou um fora uma vez~ Achei que o Tanada ia se arrepender com certeza.”
Então os dois acompanhantes garotos reagiram cada um.
“Sério, a Yumesaki levou fora?”
“Claro que ia se arrepender. Tanada~ parabéns pela confissão bem-sucedida!”
Os garotos falavam animados com sorrisos sem maldade.
A sala depois da aula foi envolvida pela animação do evento de casal formado.
“Mas como assim?”
A cortina balançou.
Yumesaki piscou e desviou o olhar.
Lá estava Arisugawa.
Os acompanhantes também pareceram sentir algo especial nas palavras da Arisugawa, e a conversa animada parou de repente.
“Como assim o quê?”
Yumesaki perguntou com o canto da boca erguido.
“Eu tô namorando o Yuuki-kun.”
“............Hã?”
Yumesaki perguntou de novo como se duvidasse dos próprios ouvidos.
Arisugawa continuou no mesmo tom leve, apesar do peso do conteúdo.
“Eu fui chamada pra cá pelo Yuuki-kun. Isso significa que fui chutada indiretamente, né?”
Com uma palavra da Arisugawa, os acompanhantes começaram a se agitar.
Yumesaki desviou o olhar pra direita e esquerda, depois agarrou minha gola e me puxou.
“Você── tá namorando a Arisugawa-san──!?”
“É. Mas a partir de hoje tô namorando a Yumesaki.”
“──Não falei pra ir tão longe...!”
Com meu tom leve, Yumesaki claramente ficou irritada.
Mas não tem motivo pra ser repreendido.
“Mas você venceu a Arisugawa, né?”
Yumesaki ficou em silêncio. A primeira promessa. Fornecer a vitória sobre a Arisugawa, mesmo que de forma distorcida, foi cumprida.
“Você queria tanto vencer. Você mesma disse que não escolheria meios.”
“...Você acha que eu fico satisfeita com uma vitória assim? Tudo o que falei antes virou piada?”
“É? Ainda tenho valor pra você. Minha relação com a Arisugawa não some.”
“Não, a Arisugawa-san também──”
“Olha só. Próximo passo é te tornar modelo, né. Pra isso, vou mostrar meu valor máximo.”
Desviei o olhar da Yumesaki confusa e encarei Arisugawa.
Arisugawa me olhava com cara de paisagem.
“Arisugawa, tem alguém no corredor?”
Ao perguntar, Arisugawa soltou o ar baixinho.
Depois abriu a porta com um “gara”.
Lá estava.
“...Minato-san.”
Yumesaki murmurou surpresa.
“Oi~ Vim ver o amigo de infância confessando, mas... o que rolou?”
Uma das três líderes das facções do ano.
Com a aparição da Asuka, o clima da sala vazia mudou.
Principalmente os garotos ficaram claramente vidrados na Asuka.
“Ei, que situação é essa?”
Quando Asuka perguntou, os garotos responderam gaguejando.
“Eh? Não, hm. O Tanada confessou pra Yumesaki, mas o Tanada tá namorando a Arisugawa. Parece que a Arisugawa foi chutada, então tipo um campo de batalha...”
“Entendi. Meu amigo de infância é um cara e tanto.”
Asuka se aproximou de mim e disse uma frase.
“──Você também tá namorando comigo, né? Seu idiota.”
“...É.”
Com minha resposta, a sala ficou em silêncio de novo.
Os acompanhantes e Yumesaki não disseram uma palavra.
Pareceu que ouvi um “puft” vindo da direção da Arisugawa.
““Eeeeeeeeeh!?””
A de cabelo longo castanho e a de cabelo curto preto gritaram ao mesmo tempo.
Yumesaki me olhava boquiaberta.
Mais que ódio, era só choque.
O cara que ela achava um bom partido era um lixo total, era óbvio.
E então.
“E-eu também──”
Uma figura entrou hesitante pela porta entreaberta.
Yumesaki estreitou os olhos.
“Você, Hina...!”
“Eu também tava namorando o senpai...!”
“HÃ!?”
Dessa vez Yumesaki virou pra mim com ódio claro.
“Ei! Que história é essa?!”
“Eu sei, eu sei!”
“O que você sabe?!”
Yumesaki me encarou furiosa.
Já tinha se exposto vergonhosamente por gostar de um cara assim.
Até aqui foi o que pedi pras três.
Com isso, vai se espalhar o boato divertido de que Yumesaki gostava de um namorado horrível.
Pra outras pessoas não é grande vingança, mas pra Yumesaki que quer ser vista como perfeita, é diferente.
A pequena retaliação por ter maltratado a Hina.
Mas claro, não é só isso.
Daqui pra frente, nem elas sabem.
“Ou seja, você quer que eu termine com todas, né. Pode deixar.”
Yumesaki fez cara de quem ia explodir de raiva.
Mas as reações de “Hã!?” e “Eh?” vieram da direção da Asuka e da Hina, e ela se distraiu.
“Vocês... sério?”
“Não se aproximem.”
Asuka reagiu com um tremor e parou a mão que ia estender.
“Você... será que voltou──”
“Quem sabe. Por enquanto, Hina, fica aí.”
“Senpai, isso tudo aconteceu por minha causa──”
Enquanto Hina se aproximava devagar, parei ela com o olhar.
Devia ter nascido uma nova emoção em Yumesaki.
A sensação de superioridade por ter chutado as duas e conquistado o namorado.
Mas pra manter a reputação, não pode se deixar levar por essa emoção.
...Isso também é uma punição pro eu de antes.
Tinha a Asuka como namorada e mesmo assim namorou a Arisugawa.
Tinha as duas e mesmo assim namorou a Hina.
Mesmo sem memória, esse ato não pode ser perdoado.
──Por isso.
Vou dar a melhor punição pro eu de antes.
Não é punição física.
Vou deixar num estado em que, ao recuperar a memória, ele queira perdê-la de novo.
Vou apagar tudo que o eu de antes acumulou e ficar isolado. O eu de antes conseguia ficar sozinho e firme provavelmente porque namorava garotas incríveis. Então vou tirar essas relações.
Essa é minha forma de acertar as contas e o procedimento pra renascer.
E, se der certo── quero acumular novas relações com todo mundo.
...Isso é só desejo. Então primeiro, o que está na frente.
Sorri de forma artificial pra Yumesaki.
“Olha, eu sou o três de espadas. O coringa me pega, mas sou fraco contra o resto. Mas depende do uso, né?”
Estendi a mão pra Yumesaki.
“Usa bem, futura presidente.”
“Você──”
“Vou cuidar das coisas chatas. Já cheguei nesse ponto. A Arisugawa também vai ajudar. Até você virar modelo.”
“Mentira, depois de tudo isso ela não vai ajudar...”
“...Vou ajudar sim. Não lembra do que falei na aula de educação doméstica? Já prometi. Promessa eu cumpro até o fim.”
Com a resposta da Arisugawa, Yumesaki cerrou os dentes.
“Viu? Se continuar namorando comigo, você vira modelo.”
Mão de um cara cujo valor despencou.
Yumesaki franziu a cara e hesitava em pegar a mão.
Dava pra ver que pesava o objetivo de ser modelo contra a reputação.
Até agora Yumesaki nunca tinha mexido comigo.
Isso mostra que ela valoriza reputação.
Yumesaki quer ser modelo acima de tudo pra ser reconhecida.
Se a própria Yumesaki recusar o caminho pro modelo na frente de todo mundo.
Então o motivo pra odiar a Hina some superficialmente. Superficialmente, mas como Yumesaki valoriza a superfície, não vai mexer mais.
Seria estranho continuar mirando a Hina quando apareceu um alvo que todos perdoariam se mexesse.
Mas tem risco.
Que além da Yumesaki, muita gente vai me odiar──
“Você é um lixo.”
Um dos acompanhantes garotos se aproximou.
Tinha piercing e a gravata mal amarrada.
Cara assustador.
E agiu mais rápido do que eu esperava.
Não me importo de levar soco, mas queria ouvir a resposta da Yumesaki primeiro.
“Aguenta firme?”
Ah, não dá.
O ruim da Yumesaki é que parece que as pessoas realmente a admiram de coração──
“ORA!”
O garoto ergueu o punho, e eu fechei os olhos com força.
Som de vento cortando.
Um cheiro nostálgico passou roçando meu nariz.
Quando abri os olhos, era o instante em que o garoto voou pra mesa.
“Gobaa!?” gritou, e veio o barulho de dongaragashan.
Cabelo dourado claro passou roçando meu nariz.
Asuka derrubou com um chute giratório um garoto bem maior que ela.
“A-A-Asuka-san!?”
“Merda, foi instinto.”
Asuka levou a mão à boca como se tivesse se dado conta.
No canto da sala, Arisugawa juntou as mãos e disse “uau...” com olhos brilhando.
...Arisugawa disse que a Asuka tinha forças que ela não tinha──
Entendi. Quer dizer que a força era literal força física!
Asuka balançou o cabelo brilhante e soltou o ar baixinho.
“Bem, é. Se mexer com ele, eu mato.”
Com Asuka de peito estufado, os acompanhantes trocaram palavras.
“A fama de ex-yankee era verdade...!”
“Não sou ex-yankee! Sou ex-delinquente!”
“Hiii!”
Enquanto os garotos se encolhiam com a réplica da Asuka, eu suspirei.
“Isso nem conserta nada...”
“Cala a boca!”
Asuka franziu a testa e me lançou um olhar fulminante.
O olhar afiado realmente parecia de yankee.
“Primeiro! Se você tem outra ideia, fala logo! Eu fiquei preocupada por um segundo──”
“Uooo espera espera!”
Tapei a boca da Asuka apressado.
Então ela ficou quieta como um gato emprestado.
A intimidação de antes sumiu, e a expressão suavizou rapidamente.
...Devia ter feito isso desde o começo.
Olhei de lado e vi Yumesaki voltando pro grupo das acompanhantes.
“Yumesaki, a promessa vai ser cumprida, né? Sobre a Hina.”
“...Eu sei. Você cumpriu mesmo a promessa. Não tô convencida, mas por enquanto obedeço.”
Tinha significado perguntar na frente de todo mundo. Na situação atual com Arisugawa e Asuka presentes, Yumesaki não pode fazer teatro baixo. Se forçada a declarar na frente de todos que vai parar de mexer com a Hina, como ela valoriza reputação, não vai mexer mais.
Yumesaki tirou uma nota de 10 mil ienes da carteira e estendeu pra Hina.
“Hina. Desculpa pelo figurine? Aquilo foi realmente acidente.”
“Eu sei... mas sobre os boatos de mim...”
“Não fui eu que espalhei. Então... se alguém falar, eu nego.”
Yumesaki olhou pras acompanhantes e perguntou “entenderam?”.
Então as acompanhantes começaram a pedir desculpas pra Hina uma após a outra.
Pra bem ou pra mal── mais pro mal, mas parecia que tudo o que Yumesaki falava valia.
Reconciliação superficial.
Com isso, Yumesaki não pode mais mexer com a Hina.
“Mas não posso aceitar o dinheiro. É só reconciliação.”
“...Tá.”
Yumesaki guardou a nota de 10 mil casualmente e levou a mão à porta da sala.
Perguntei pras costas dela por último.
“Yumesaki, e agora? Vai desistir do modelo pela Arisugawa?”
“...É. Namorar um lixo como você? Prefiro desistir.”
Fui olhado com desprezo profundo, e dei um sorriso amargo.
Se quisesse, podia dar o golpe final aqui.
──Gravei toda a conversa do almoço.
Se eu divulgasse a gravação, Yumesaki não teria mais lugar.
Mas não vou fazer isso.
Tirando as ações erradas com a Hina, não sentia repulsa pela forma leal aos próprios desejos.
Com a mão fora da Hina e uma pequena retaliação feita, acabou por enquanto.
Isso também confirmei com a Hina quando a convidei pra sala.
As ações da Yumesaki foram totalmente erradas por causar dano a alguém. Mas o desejo fundamental era algo que eu também tenho.
Eu também quero ser reconhecido pelo eu de agora.
Com certeza vou perder meu lugar na escola por causa dos boatos do grupo da Yumesaki.
Mas tudo bem.
O Tanada Yuuki sem memória anterior, provavelmente com personalidade diferente.
Não vou desfrutar do que o eu de antes acumulou.
Vou viver só com o que o eu de agora acumulou.
Essa conclusão egoísta é parecida com a da Yumesaki, mesmo que de forma diferente.
É uma decisão que trai de certa forma as pessoas que pensavam no eu de antes.
Por isso deixei Yumesaki ir embora.
Como se estivesse prevendo meu próprio futuro.
“...”
Quando o grupo da Yumesaki saiu da sala, ficou silencioso demais pra quatro pessoas.
Depois de dezenas de segundos, quem falou primeiro foi──Hina.
“Senpai... isso não vai deixar sua posição na escola ruim...?”
“É. Por isso fiz. Hina, hm... foi um bônus.”
Hina arregalou os olhos e baixou a cabeça.
...Isso não tem jeito.
Se eu não falar claro, a Hina vai se preocupar vendo eu me isolar daqui pra frente.
É parte do meu verdadeiro sentimento.
Talvez percebendo isso, Arisugawa falou num tom divertido.
“Então ‘por isso’ significa... que você quer ficar realmente sozinho daqui pra frente?”
“É. Parece que antes também ficava muito sozinho, mas tinha vocês três.”
“Hm... entendi. Você realmente...”
Arisugawa foi a única que entendeu tudo ali.
──Quer renascer, né.
Ela engoliu essas palavras.
Em vez disso, sorriu suavemente.
“Fufu, Yuuki-kun é realmente interessante.”
“...Acha graça nessa situação? Desde o começo achei, mas você é única mesmo.”
“Yay, elogiada~”
“Não foi elogio.”
Arisugawa olhou orgulhosa pra Asuka, e eu não resisti e comentei.
“...Bem, é isso. Por enquanto, vamos dar um fim nesse relacionamento── namoro, podem?”
“...É. O que todo mundo acha?”
Arisugawa olhou fixamente pra Asuka.
“...Minha resposta já tá decidida.”
Asuka se aproximou de mim, agarrou minha gravata e me puxou.
Olhos e nariz bem perto dela.
“...Acha que vou te largar por causa disso? Não me subestime!”
“Eh!? Espera. Agora todo mundo acha que terminamos, se você ficar comigo sua posição também fica ruim, né?”
“Nesse caso a gente cai no inferno juntos. Não pretendo parar de ser sua namorada. Mesmo se o você de agora quiser terminar, quando a memória voltar pode ser diferente, né?”
“Não brigamos e paramos de conversar...”
“Cala a boca!”
Quando Asuka ia continuar, Hina pulou animada atrás.
“A-aquele, eu também! Meu ambiente já era ruim, só tem como subir! Mas só se o senpai estiver lá, então por favor me deixe continuar sendo fã!”
“Ei, ser fã dá pra ser sem namorar!”
“Descer do primeiro andar da arena pro segundo andar é doloroso!”
Com a expressão super animada, senti alívio no peito, mas ao mesmo tempo dor de cabeça com a situação que ficou bagunçada de novo.
Talvez percebendo, Arisugawa falou cantando.
“Você errou o método. Não precisava chegar nisso, tinha muitos jeitos melhores.”
“Mas... não pensei em nenhum jeito que não desse mais problema pra vocês.”
“...Bem, é. Enquanto pedia pra depender, eu me tornei alguém difícil de depender, tenho consciência.”
Asuka baixou os olhos suavemente, talvez se arrependendo de ter sugerido ignorar a situação da Hina.
Foi uma escolha depois de pesar eu e a Hina, então não posso culpar a Asuka.
“...Você me ajudou hoje, então não precisa se preocupar.”
Falei baixo o suficiente pra só elas ouvirem, transmitindo minha intenção.
Com certeza Asuka quer que eu recupere a memória.
Dizer que fica comigo é pra aumentar a chance de recuperar.
Eu também, honestamente, quero ficar com todo mundo.
Mas se fizer isso, não consigo acertar as contas com o eu de antes──
“Yuuki-kun. Como ajudei, cumpre a promessa comigo também.”
Arisugawa sorriu.
“Eh? Que promessa?”
“No quarto do hospital. ‘Se eu te proteger no lugar, estende esse relacionamento, né’.”
Busquei na memória── e uma lembrança vaga foi ficando clara.
“...É, falei mesmo. Mas não falei o que acontecia se eu recusasse?”
“Rasgo.”
“Ei, agora fui ameaçado normalmente?”
Fiquei surpreso de verdade.
Com minha reação, Arisugawa riu de novo.
...Gentil.
Quero acertar as contas, mas também quero conhecer mais elas.
Com certeza Arisugawa percebeu os dois sentimentos e está tentando me puxar de volta à força.
Pra eu assentir mais fácil.
“...Tá bom.”
Ao responder, Asuka assentiu feliz.
“...Saki. Não entendi direito, mas dessa vez só consigo elogiar. E obrigada.”
Asuka falou pra Arisugawa, que brilhou os olhos.
“Uau, elogiada pela Asuka-san~!”
“Ei, não se aproxima, não toca!”
Asuka tentou afastar Arisugawa que abraçava seu peito.
“Mas sério, não sei o que vai acontecer daqui pra frente.”
“Com esse time reunido, não tem com o que se preocupar.”
Depois de tirar Arisugawa, Asuka sorriu pra mim.
“É isso aí. Eu não consigo ajudar em nada, mas com essas duas do lado, fico tranquila!”
Hina concordou animada, e Asuka deu um sorriso amargo como se sentisse culpa.
Talvez esteja pensando quando pedir desculpas diretamente.
“...Vai lá.”
Ao falar, Asuka arregalou os olhos surpresa.
Percebendo que li seus sentimentos, Asuka pareceu decidir.
Assentiu em silêncio, pegou a mão da Hina e saiu da sala.
Com certeza quer pedir desculpas a sós.
Por enquanto, fiquei sozinho com Arisugawa.
Lembrei das palavras que ela falou antes.
...Tinha jeitos melhores, né.
Pensando com calma, meu plano tinha variáveis demais.
“Você achou desde o começo que tinha jeitos melhores?”
“É. Tinha muitos outros jeitos.”
“Que maldade... por que não falou?”
Arisugawa olhou pra mim e sorriu baixinho.
“Você disse que queria superar sozinho, né? A primeira barreira. Então não queria ajudar muito.”
Depois virou pra mim e continuou.
“Daqui pra frente não pode se jogar sem pensar. A vista que você vê agora é toda sua.”
“É mesmo... é. Obrigado.”
...Talvez seja a primeira vez.
Que agradeci Arisugawa de coração.
“Daqui pra frente, cuida de mim, Tanada Yuuki-kun.”
Arisugawa sorriu gentilmente.
──Gara.
Na minha cabeça, soou o barulho de uma porta abrindo.
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